MOONLIGHT: SOB A LUZ DO LUAR (2016) - Da Literatura

25/02/2017

MOONLIGHT: SOB A LUZ DO LUAR (2016)






Moonlight gira em torno de um personagem, Chiron, um jovem negro que cresceu em um bairro pobre de Miami. A história é dividida em três partes, e em cada uma Chiron está em uma fase diferente da vida. A primeira parte conta a história dele quando criança, crescendo em um bairro pobre e cercado pela criminalidade e pelas drogas. Sua mãe (Naomie Harris) é viciada em crack e ele tem que lidar ainda com o bullying na escola, onde seus colegas o perseguem por ser homossexual (sendo que ele ainda nem sabe sobre isso). É nesse contexto que ele conhece Juan (Mahershala Ali), um chefe do tráfico de drogas que passa a representar para Chiron a figura paterna que ele nunca teve, atencioso e dedicado. A segunda parte retrata Chiron em sua adolescência, ainda lidando com o bullying na escola (mas de forma mais violenta) e vendo sua mãe atingir uma situação crítica devido ao uso de drogas, além de lidar com a descoberta de sua homossexualidade. A terceira parte traz Chiron já adulto, em uma situação bastante diferente (evitando spoilers).


Um dos aspectos mais marcantes de Moonlight é a sincronia entre os três atores que interpretam Chiron nas três fases diferentes: Alex R. Hibbert (criança), Ashton Sanders (adolescente) e Trevante Rhodes (adulto). Com atuações impressionantes, eles representam de forma convincente o mesmo personagem em sua essência: o jeito extremamente calado e tímido, a tristeza, o olhar perdido e confuso, no entanto sempre carregando a bagagem emocional mostrada no ato anterior do filme. O silêncio característico do personagem não é um problema; pelo contrário, pela linguagem corporal e pelo olhar ele diz tudo. Quanto às atuações dos coadjuvantes Mahershala Ali e Naomie Harris não há outra definição além de impecável: o primeiro interpreta um chefe do tráfico que quebra todos os estereótipos criados sobre alguém em tal posição, enquanto a segunda entrega uma performance emocionante de uma mãe que sofre com o vício em drogas.





A direção de Barry Jenkins é primorosa, assim como a fotografia do filme. A câmera é estática e contemplativa em alguns momentos, enquanto em outros se movimenta com fluidez e rapidez para acompanhar a dinâmica agitada da cena. As cores são luminosas e marcantes, a trilha sonora se encaixa perfeitamente e vai desde hip hop até música clássica (incluindo uma música cantada por Caetano Veloso!).


Moonlight é um filme muito mais fácil de ser sentido do que explicado, e consegue trazer ao mesmo tempo temas tão pesados, como o bullying, homofobia, o tráfico e o vício em drogas, a criminalidade, e, no entanto, sua temática se estende a um grande público: a busca pela identidade, e tentar se encontrar em um mundo que impõe condições e estilos de vida, em que o ambiente molda o caráter das pessoas, muitas vezes de formas cruéis.






Sutil, poético e reflexivo, Moonlight diz muito em seus silêncios e por meio de sua fotografia estonteante, e traz um personagem profundo e complexo em busca de sua identidade em uma jornada cinematográfica impressionante.







MOONLIGHT: SOB A LUZ DO LUAR

DIREÇÃO: Barry Jenkins
ELENCO: Alex R. Hibbert, Ashton Sanders, Trevante Rhodes, Mahershala Ali, Naomie Harris
ANO DE LANÇAMENTO: 2016

GÊNERO: Drama

 Três momentos da vida de Chiron, um jovem negro morador de uma comunidade pobre de Miami. Do bullying na infância, passando pela crise de identidade da adolescência e a tentação do universo do crime e das drogas, este é um poético estudo de personagem.








Mineira, estudante de Engenharia. Livros são seu universo particular; filmes e séries, os cenários pelos quais viaja. Quer saber um pouco de quase tudo. Começou com Harry Potter, mas hoje lê de quase tudo. Aprecia o macabro de King e Poe, a ousadia de Atwood, a poesia de Zafón e Gabo, e a irreverência de Gaiman.

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