Sétima Arte: Projeto Gemini

10/10/2019


O novo filme do Ang Lee traz um mais-do-mesmo disfarçado de inovação que incomoda.



Se criou toda uma expectativa em torno do mais recente trabalho do diretor Ang Lee, que, apesar de ser um bom diretor, nem sempre acerta em suas escolhas. E essa é uma dessas más escolhas. O filme usaria a tecnologia revolucionária já popularizada pela Marvel (aquela que deixou o Samuel L. Jackson jovem em Capitã Marvel) para fazer com que Will Smith se defrontasse com uma versão mais jovem de si mesmo. Mas é literalmente SÓ isso que o filme traz.

Filmado em 120 e exibido em 60 quadros por segundo, a sensação visual do filme vai agradar muito os entusiastas de tecnologia, mas vai incomodar bastante quem ama cinema. Para se ter ideia, um filme "normal" é exibido em 24 quadros por segundo, o que dá aquela sensação visual característica do cinema. Sabe quando vemos um vídeo de making of e é tudo diferente? Não tem aquela plasticidade, aquele movimento quase que trabalhado? Parte da magia do cinema é isso. E quem ama cinema, do fundo do coração, gosta é disso. A gente não é muito fã de 3D... Eu, particularmente, acho que filme em 3D só serve para a bilheteria ser mais cara, porque depois de um tempo o olho acostuma e o efeito se esvai, daí fica só aquele óculos desconfortável na tua cara o filme todo. Mas entusiastas de tecnologia VIVEM por essa porcaria, né? Uma vez eu falei mal de filmes em 3D numa sala cheia de "3D artists" e por pouco não saí de lá morto...

Mas o que acontece em Projeto Gemini é que, além de ser um filme em 3D, esses tais 60 quadros por segundo provocam, em teoria, uma sensação de imersão no filme. É quase como se estivéssemos olhando a ação por uma janela. Mas eu falei "em teoria", porque na verdade o que parece é VT de novela do SBT (que sempre foi um pouco pior que o da Globo) ou os tais vídeos de making of, em que as coisas parecem inacabadas e a movimentação é estranha. As explosões são um show à parte. Sabe quando assistimos aos bastidores das produções de um filme de ação e as explosões não têm aquele peso visual de um filme finalizado? Parecem só que jogaram um daqueles estalinhos (a famosa biribinha) no chão? Então... As explosões em Projeto Gemini são visualmente assim, graças ao efeito provocado pela tecnologia.

A tecnologia que colocou o rosto de um Will Smith mais jovem em um corpo de um dublê é, em grande parte, impressionante (geralmente quando a luz é mais escura), mas a trama é toda tão previsível e rasa que eu nem vou me ater a ela nesta resenha. É como um dos jornalistas que estava na cabine de imprensa do filme falou: "o roteiro é só uma desculpa para ter cenas de ação entre um Will Smith jovem e um Will Smith velho". Smith entrega aquela atuação gostosa no piloto automático, como nos últimos 3 ou 4 - ou 10, 20 - filmes que fez. E essa maldita mania de ele colocar no contrato que tem que ser o herói em TUDO que faz torna muito óbvio e fácil de saber aonde a história vai. Até a versão jovem dele, que era pra ser o vilão, acaba virando herói. Se esse mesmo filme tivesse sido estrelado por Nicolas Cage, teríamos um desfecho muito diferente...

Até porque, se era pra usar Will Smith jovem, então que fizessem uma referência mais descarada ao Maluco no Pedaço. Não estou dizendo que não existe a referência - ela está lá, mas muito sutil.

Projeto Gemini estreia hoje. Se você é um entusiasta de tecnologia e gosta de ver filme por qualquer outro motivo que não o roteiro (que nem os fãs de Velozes e Furiosos, que vêem os filmes "por causa dos carros"), corre pro cinema! Agora, se você é fã de cinema... Coringa e Midsommar ainda devem estar em cartaz...

Luis é podcaster, criador do Geekburger, resultado de uma vida inteira de filmes ruins, cultura pop, hardcore/metal e faz burgers bons pra c#*@O!

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