Sétima Arte: Turma da Mônica - Laços

18/06/2019


O melhor filme nacional já feito em toda a história!


Será que é exagero? Pense um pouco: Maurício de Souza é praticamente nosso Walt Disney. Seus personagens atravessaram gerações, passaram de pai para filho e seguem atemporais. A Turma da Mônica não é um gibi que alguém como eu, que beira os 40 anos, se refere como algo que "era do meu tempo" para explicar para alguém mais jovem ou uma criança, como minha sobrinha de oito anos, por exemplo. Aliás, nem precisa explicar o que é a Turma da Mônica, pois até quem nasceu há menos de 10 anos conhece! É um dos grandes testamentos da nossa cultura: nossos pais leram, a gente cresceu lendo e nossos filhos e sobrinhos continuam/continuarão lendo.

Dito isso, demorou muito tempo para que a turminha fizesse a transição para a telona, mas toda essa espera não foi em vão. Tudo vem a seu tempo e, graças ao genial projeto Graphic MSP, do Sidney Gusman, em que outros artistas realizam graphic novels com releituras dos personagens do Maurício, que a gente foi presenteado com a base para essa estreia da Mônica, do Cebolinha, da Magali e do Cascão no cinema: Turma da Mônica - Laços, dos irmãos Vítor e Lu Cafaggi (que, assim como o Maurício e o Sidney, fazem um cameo no filme). A primeira história de uma trilogia feita pelos irmãos mineiros com a turminha é uma aventura digna de Sessão da Tarde, com uma porção de referências e easter eggs não só do universo do Maurício - o qual Vítor e Lu, fãs que são, conhecem com maestria -, mas de cultura pop em geral, e que traz uma lindíssima mensagem sobre os laços de amizade que a gente cria e leva para o resto da vida.



Então não vou ficar fazendo rodeios aqui: essa adaptação de Laços para o cinema é MARAVILHOSA! Assim, em letras maiúsculas mesmo. É um presente para quem cresceu lendo a Turma da Mônica. É um abraço apertado do Maurício nos fãs de todas as idades. E ao mesmo tempo em que é uma bela - e bem fiel - adaptação da graphic novel dos Cafaggi, é a impressão em carne-e-osso de tudo que a gente via nos gibis. O bairro do Limoeiro, os planos infalíveis, os personagens secundários, está tudo lá, estilizado de uma maneira esteticamente atemporal. Vítor e Lu foram muito espertos ao iniciar sua primeira história com uma perseguição do Cebolinha e do Cascão pela Mônica, que na verdade é apenas um passeio pelo universo da turma, porque essa também foi a maneira perfeita de introduzir esse mundo no cinema.

Magali preparando um lanchinho para a viagem.

O filme, dirigido por Daniel Rezende (de Bingo, o Rei das Manhãs), com roteiro de Thiago Dottori, traz quatro crianças incríveis nos papéis principais: Giulia Benitte (Mônica), Kevin Vechiatto (Cebolinha), Laura Ruseo (Magali) e Gabriel Moreira (Cascão). A caracterização é impressionante, apesar de algumas liberdades (como o fato de o Cebolinha ter cabelo, por exemplo) que mais ajudam a trazer os personagens para o mundo real do que atrapalham. A personalidade de cada um deles está ali e é muito bem desenvolvida. A Mônica é baixinha, gordinha, dentucinha (a atriz Giulia usou uma prótese) e tem o pavio curto quando alguém aponta essas características; Magali é o alívio cômico em forma de piadas de comida; Cebolinha "lealmente" fala "elado" e está sempre preocupado em bolar planos infalíveis pra roubar o coelhinho Sansão; E Cascão é aquele moleque cheio de street smarts, que escapa de água até dormindo.

Floquinho versão carne-e-osso.

A trama do filme é exatamente a mesma da graphic novel de Vítor e Lu Cafaggi, com alterações apenas em detalhes, que acabaram complementando trechos da história original que os irmãos deixaram subentendidos, ou que serviram para trazer mais personagens do universo MSP (ou "MSPverse", por que não?) para o filme, como o Louco (Rodrigo Santoro com um nariz prostético feito pelo maquiador americano Scott Wheeler, de 300) - uma das alterações mais legais do roteiro. Assim como nos quadrinhos, o Floquinho, cãozinho do Cebolinha, desaparece e a turma sai em busca de pistas para encontrá-lo, resultando em uma aventura dessas de determinar amizade e confiança mútua, quase um coming of age, como Conta Comigo - que certamente foi referência dos Cafaggi para a graphic novel.

Louco (Santoro) interagindo com o Cebolinha (Vechiatto).

Tomada da turma feita exatamente como no quadrinho dos Cafaggi.

O roteiro de Dottori é muito bem escrito e amarrado com uma excelência quase Kevin Smith-esca! Certos elementos utilizados em detalhes do terceiro ato são introduzidos no primeiro e nada está no filme por acaso. E é lindo como ele deixa bem claro que a relação entre o Cebolinha e a Mônica é muito mais do que uma rixa para "ser o dono da lua". É um amor de criança que um dia pode virar algo mais bonito, deixado evidente pelo visual do senhor e senhora Cebola da Silva (Paulo Vilhena e Fafá Rennó). Se nos gibis os dois sempre pareceram um Cebolinha e uma Mônica adultos, aqui ficou na cara.

Família Cebola nos cinemas.

Por isso repito minha afirmação exagerada do início: se Turma da Mônica - Laços não é o maior filme nacional já feito, é certamente o grande filme brasileiro do ano. A gente esperou muito tempo para ver a Turma da Mônica na telona e, assim, logo de primeira, isso foi feito direito! Ele estreia dia 27 de Junho e MERECE ser visto nos cinemas mais de uma vez! Pode ir com a expectativa lá em cima, porque Rezende, Dottori e o elenco todo entregam algo que vai suprir e exceder ela! E fica aqui o meu pedido de POR FAVOR pra que façam as sequências, Lições e Lembranças, de uma vez - antes que essas crianças cresçam - e expandam o "MSPverse" nos cinemas!


Luis é podcaster, criador do Geekburger, resultado de uma vida inteira de filmes ruins, cultura pop, hardcore/metal e faz burgers bons pra c#*@O!

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Um comentário:

  1. Adorei ler o blog comentario do Luis Fernando Volkweis sobre o filme "Turma da Monica, Laços-.
    A forma apaixonada que o L. Fernando escreve é muito empolgante que me faz querer ver o filme imediatamente. A critica positiva que ele faz sobre o filme, e sobre o criador da Turma da Monica, é educativo para o leitor se inteirar sobre a historia dos personages criados pelo Mauricio de Souza. Vivenci essa historia, pois li os gibis, e assisti aos desenhos da Turma da Monica com meus sobrinhos e sobrinhas... Obrigada meu querido sobrinho Luis Fernando por escrever essa linda critica, e me fazer voltar ao tempo e relembrar a infancia de todos nós.

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