Sétima Arte - Brightburn: Filho das Trevas

21/05/2019


Um casal que vive numa fazenda em uma cidadezinha rural do Kansas, tenta - sem sucesso - ter um filho. Até que, em uma noite, os dois vêem um objeto luminoso cair do espaço em uma floresta próxima à sua casa. Vão até o local e encontram uma pequena nave espacial que contém um bebê. Um menino recém-nascido e indefeso. O casal, então, adota o garoto e o cria como filho, mantendo sua origem em segredo, até que os anos trazem a puberdade e ele revela habilidades especiais,  totalmente inconcebíveis e fora deste mundo.




Conhece essa história, né? O menino cresce e se torna um paladino da justiça, um herói para o nosso mundo. Mas e se esse menino fosse um psicopata, incapaz de sentir empatia, remorso ou culpa? Essa é a pergunta que Brightburn (que estreia nesta quinta, 23 de Maio) se propõe a responder.

O filme, produzido por James Gunn (Guardiões da Galáxia), escrito por Brian e Mark Gunn (o irmão e o primo de James, respectivamente), dirigido por David Yarovesky (responsável por aquele divertidíssimo videoclipe Inferno, dos Guardiões da Galáxia), e que conta com Elizabeth Banks e David Denman como os pais do garoto Brandon Breyer (Jackson A. Dunn, que mandou muito bem no papel principal), traz uma reimaginação sombria da origem do Superman, em que grandes poderes nas mãos de alguém mau resultam em uma história de horror da qual é impossível escapar.


E essa é a parte mais legal da história. Assim como Superman foi enviado à terra com uma mensagem, para que crescesse e se tornasse um herói e guiasse o povo à paz, o menino Brandon, ao desenvolver seus superpoderes, também descobre seu propósito. É uma história de origem de um super herói, mas sua missão não é para conosco. A mensagem deixada a Brandon é muito mais horripilante para nós.

Como todo psicopata, Brandon é inteligente, tem pensamento ágil e, conforme descobre do que é capaz, se distancia e se vê superior à humanidade. Somos uma fazenda de formigas e ele, a lupa. Tamanho é seu descaso com relação às consequências de seus atos, que o menino "assina" seus feitos, usando uma logomarca que ele mesmo criou para si.



A crueldade de Brandon é um show de gore à parte! Parabéns para a produção! Desde que Deadpool deu certo, Hollywood entendeu que certas histórias fantásticas de super herói precisam ser Rated R (a classificação indicativa para maiores de 18 anos nos EUA) e a quantidade de atrocidades praticadas por nosso monstrinho protagonista é gráfica e de revirar o estômago, com um realismo digno de um filme do George A. Romero.

A fotografia é, em grande parte, noturna. Algumas tomadas lembram um pouco Homem de Aço, de Zack Snyder - acredito que de propósito - e o Superman é referenciado nas cores do figurino do garoto, que quase sempre usa roupas azuis e vermelhas. O clima é tenso do início ao fim. É um filme de terror como poucos filmes de terror o são. Brightburn te deixa na ponta da cadeira, roendo as unhas, querendo nem piscar para não perder um frame sequer.



Os efeitos especiais, principalmente ao mostrar as habilidades de Brandon (que são as mesmas do Superman e algumas extra), são excelentes e a forma como o roteiro utiliza essas habilidades é, em vezes, sutil e corrobora com a tensão intencional da trama. Quando ele voa, é assustador! É muito menos como um pássaro e mais como uma bala de canhão, destruindo tudo que está no caminho. Só as tomadas dele pairando no ar com os olhos brilhantes da visão de calor já são suficientes pra borrar as calças de medo. E, se não bastasse tudo isso, o roteiro não se rende ao bom-mocismo de ter que resolver a história de forma moral, com final feliz. Essa amoralidade me agrada muito, pois filme de terror não pode ter final feliz.

Brightburn é a prova de que, se o Superman não fosse um cara legal, ele seria a coisa mais aterrorizante que o mundo já viu. E isso como mote para uma história de horror rende uma franquia que desbancaria o universo cinematográfico da DC e o fraquíssimo "JamesWanverse" (Invocação do Mal e derivados) ao mesmo tempo.

Luis é podcaster, criador do Geekburger, resultado de uma vida inteira de filmes ruins, cultura pop, hardcore/metal e faz burgers bons pra c#*@O!

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