Sétima Arte: Alita - Anjo de Combate

14/02/2019

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Eu fui ao cinema sem saber nada sobre Alita - Anjo de Combate. As únicas informações que eu tinha sobre o filme eram que ele é uma adaptação de um mangá chamado Gunnm e a direção era do Robert Rodriguez, que é um cara que, para mim, acerta até quando erra.



Alita na verdade é uma das crias do James Cameron. Ele vem trabalhando nesse projeto há anos e assinou o roteiro e a produção. Confiou a direção a Rodriguez, que afirmou ter pretendido fazer "um filme do Jim Cameron", em termos de grandiosidade e mínimo de verossimilhança com o mundo real (o máximo possível, neste caso). Se comparado ao acervo de Rodriguez, repleto de filmes menores, todos geralmente feitos no estúdio da sua própria casa, realizando milagres com pequenos orçamentos e com roteiros repletos de absurdos, cujo propósito é entreter e arrancar risadas mesmo, Alita é sim mais cientificamente... apropriado, digamos.

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E basta olhar para o poster que já vemos que ele contém um elenco estelar: Christoph Waltz, Jennifer Connelly, Mahersala Ali, Jeff Fahey, Michelle Rodriguez e um outro excelente ator não creditado que aparece de surpresa no final, à la Johnny Depp em Animais Fantásticos. Mas quem me impressionou mesmo foi a protagonista Rosa Salazar.

Rosa é Alita, um ciborgue encontrado pelo cientista Dyson Ido (Waltz) em um lixão. Dr. Ido dá a ela um novo corpo e um nome, e Alita acorda sem lembrar quem é. Só que aos poucos, ao interagir com o mundo à sua volta, ela vai recobrando pistas de seu passado pregresso, como pequenos flashes e movimentos de memória muscular.

Mundo este que é muitíssimo diferente do nosso. A historia se passa no século 26, 300 anos após a Terra ter sido devastada por uma guerra. Sobrou apenas uma cidade flutuante, Zalem, onde vivem os mais afortunados, e a cidade da superfície, um scrapyard, que contém as classes menos privilegiadas da sociedade, que trabalham para Zalem e sonham um dia poderem morar lá. É a típica história distópica em que a terra prometida e o vilão são a mesma coisa, como Elysium, Terra dos Mortos (de George A. Romero), Jogos Vorazes e até o terrível seriado brasileiro 3%. E é nesse mundo devastado da superfície que Alita faz amizade com Hugo, um garoto que deseja comprar sua passagem para Zalem e que acaba sendo vital para que ela descubra quem ela é e qual seu propósito na história, em meio a muita aventura, com direito a luta de ciborgues, conspirações malévolas e até um esporte futurista violento, chamado Motorball.

Geralmente as adaptações ocidentais de obras japonesas nunca funcionam, pois ao tornar o conteúdo acessível a nós, os ocidentais, muito da cultura oriental acaba se perdendo e a própria obra se desfigurando, como é o caso de Death Note, da Netflix. Ou então, para evitar que isso aconteça, enche-se o filme de orientais, mas a protagonista é americana, como em Ghost in the Shell. Isso não acontece em Alita - Anjo de Combate, pois desde o início é explicado que gente de todos os lugares da Terra foram parar no scrapyard em busca de abrigo e sobrevivência, pois o resto do planeta se tornou um deserto. Então o filme conta com um elenco cosmopolita, todas as cores e raças interagindo em harmonia. Mas o grande trunfo, para mim, foi algo que certamente partiu da mão de Rodriguez: uma protagonista latina.

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Rosa Salazar está espetacular, mesmo feita em CGI. A atriz fez toda a captura de movimentos e expressões da personagem e, apesar dos olhos grandes de sua versão digital, para fazer alusão ao mangá, é possível reconhecer seus traços latinos e até mesmo ser totalmente levado por sua performance, pois o trabalho feito pela Weta - a empresa neozelandesa responsável pelos efeitos visuais de Senhor dos Anéis, de vários filmes da Marvel, etc - é tão incrivelmente bem feito que, assim como aconteceu com o Thanos em Vingadores: Guerra Infinita, a gente esquece que Alita é uma personagem de CGI. Eu reconheci Rosa na personagem digital antes mesmo de pesquisar e ver que era ela.

Alita - Anjo de Combate é o perfeito filme de verão. Um blockbuster divertido, cheio de ação, com efeitos visuais impressionantes, uma boa direção (sou suspeito pra falar de Robert Rodriguez) e que vale ser assistido em IMax! Ah! E deixou gancho para sequência, porque James Cameron não é bobo nem nada!

Luis é podcaster, criador do Geekburger, resultado de uma vida inteira de filmes ruins, cultura pop, hardcore/metal e faz burgers bons pra c#*@O!

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