Sétima arte: Animais Fantásticos - Os Crimes de Grindelwald

12/11/2018

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Acredito que todo fã de Harry Potter deve concordar comigo em uma coisa: o universo que a J.K. Rowling criou vai muito além do trio Harry, Ron e Hermione. Hogwarts, as quatro casas - Grifinória, Sonserina, Lufa-lufa e Corvinal -, os animais mágicos, toda a cultura do mundo de magia escondido de nós trouxas, enfim. Eu sempre me peguei pensando que ela poderia contar milhões de histórias dentro desse cenário fantástico que ela trouxe à vida nas páginas da saga do Harry. Ela poderia, inclusive, dar mais destaque às casas Lufa-lufa e Corvinal, totalmente coadjuvantes até então. Nos trazer contos de heróis e vilões dentro desse universo em diferentes momentos do tempo. E com o primeiro filme dessa nova saga, Animais Fantásticos e Onde Habitam (Fantastic Beasts and Where to Find Them, de 2016), ela começou a fazer isso, de maneira tímida e branda, na minha opinião, com uma história que se passa algumas décadas antes dos eventos de Harry Potter e a Pedra Filosofal.



Mas em Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald, que estreia neste dia 15 de novembro no Brasil, Rowling entra de cabeça no universo de magia apresentado aos fãs nos sete livros do Harry Potter, conectando as duas histórias com detalhes bem interessantes e fechando diversas pontas soltas do mediano primeiro filme da nova saga.

Crimes de Grindelwald (desculpa, eu vou chamar assim de agora em diante, porque o título é muito longo) é superior ao primeiro filme em absolutamente tudo. De efeitos especiais a desenvolvimento das personagens a uma trama melhor estruturada. Tudo é mais legal! Se o primeiro Animais Fantásticos parecia que não sabia muito bem que história queria nos contar, esse deixa bem claro.

O vilão Grindelwald (Johnny Depp e sua performance Jack Sparrow automático, que não chega a ser um problema), preso ao final do primeiro filme, agora escapa da cadeia e revela seu plano: unir os bruxos com um falso discurso moralista de "nós versus eles", atacando não só os trouxas (nós, humanos normais) e suas armas de guerra, mas também as regras impostas à comunidade mágica, insinuando que, caso juntem-se a eles, serão livres para fazer o que quiserem, como, por exemplo, fazer mágica na frente de trouxas ou até se relacionar com eles. E assim ele atrai a atenção dos bruxos, pois os conquista através de suas próprias fraquezas, medos e anseios, para que o apoiem em seu propósito escuso de escravizar e matar a raça humana. Impossível não conectar essa premissa com o mundo de hoje, não é?

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Johnny Depp como Jack Sparr... Grindelwald!


E o nosso herói Newt Scamander (Eddie Redmayne), banido de viajar internacionalmente pelo Ministério da Magia, por conta da confusão aprontada por seus bichinhos fantásticos em Nova Iorque no primeiro filme, recebe um pedido de Dumbledore - sim! Um Dumbledore jovem, interpretado pelo sempre excelente Jude Law, que até a cura mágica para a calvície encontra ao longo filme sem a gente nem perceber - para que vá até a França e enfrente Grindelwald antes que ele encontre o jovem Creedence (Ezra Miller), que possui um capeta destruidor dentro de si. Ao questionar Dumbledore, "Por que não vai você?", Newt recebe o mesmo desdobre sacana que Gandalf dá para Frodo quando manda ele levar o Um Anel até Mordor. "Veja bem... Eu não posso, sabe como é...". Magos e seu mau-caratismo sem limites...

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Newt então se reencontra com o trouxa Jacob (Dan Flogler, melhor personagem da saga!), Queenie (Alison Sudol) e Tina (Katherine Waterston) e a aventura começa, com direito a novos animais fantásticos, que são o que tornam a ação toda realmente divertida. Eles são as saídas e subterfúgios para todas as situações complicadas em que Newt se mete, e é impossível não amá-los!

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Alguns dos animais que ajudam Newt na história.

Escrito por Rowling e dirigido por David Yates (que também foi o encarregado do anterior), Crimes de Grindelwald nos traz 133 minutos de um belíssimo uso do universo mágico de Harry Potter, agora batizado de Wizarding World, marca criada pela Warner para todos os produtos baseados nas histórias de J. K. É muito legal ver que Newt, um sujeito puro, que realmente ama aqueles animais que o resto da comunidade mágica não entende e trata com violência, não era um aluno da Grifinória - casa que até então associávamos a todos os heróis - e sim de Lufa-Lufa. Vemos também que nem todo mundo em Sonserina é ruim, pois costumávamos acreditar que essa era a casa onde eram colocados todos os bullies de Hogwarts. O filme nos mostra que há bullies em Grifinória também.

O uso de personagens como Dumbledore ou a professora McGonagall (Fiona Glascott) para conectar essa nova trama à saga anterior de Rowling talvez ainda seja necessário, mas com o passar do tempo, em novas e possíveis sagas, talvez seja irrelevante, pois há um potencial imenso de expansão nesse mundo mágico, e Crimes de Grindelwald faz um bom uso dele e nos deixa ansioso para os próximos. Não só as próximas histórias que podem ser contadas, mas, ao terminar em um tom meio Império Contra-ataca, faz com que a audiência morra de vontade de assistir aos próximos três filmes da saga Animais Fantásticos prometidos pela Warner.

Assista nos cinemas!



Luis é podcaster, criador do Geekburger, resultado de uma vida inteira de filmes ruins, cultura pop, hardcore/metal e faz burgers bons pra c#*@O!

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2 comentários:

  1. Quero ver, mas vou com as expectativas baixas... Acho que estão "inventando" d+ nessa nova franquia... Seila...
    Só não entendo o que a professora McGonagall está fazendo nesse filme, cadê a lógica cronológica desse filme? Ela nem nascida era nessa época o.O
    Tem alguma explicação no filme?

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    1. Como assim nem nascida era? O filme se passa antes de Harry Potter, quando Dumbledore tinha lá seus 40 e poucos anos. É óbvio que a prof McGonagall, que em Harry Potter tem tipo seus 60 e poucos, era nascida sim!
      Mas assim, não tem explicação... Ela só aparece lá em Hogwarts. Acho que nos próximos talvez deem mais ênfase a ela...

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