Sétima arte: Confiar (2010)

13/08/2018

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Oi, gente!

Hoje a dica é de um filme que costumo trabalhar em sala de aula. Acho esse filme excelente, apesar de a temática ser pesada, mas o assunto é bem importante. Precisamos discutir sempre. Super recomendo.



Título no Brasil: Confiar
Título Original: Trust
País / Ano de Produção: 2010
Estreia: 23 de setembro de 2011
Direção de David Schwimmer
Roteiro de Andy Bellin e Robert Festinger
Elenco: Clive Owen, Catherine Keener, Liana Liberato, Jason Clarke, Viola Davis.
Gênero: Drama
Duração: 105 minutos


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Sinopse: Will (Clive Owen) e Lynn (Catherine Keener) têm três filhos. Enquanto um está prestes a entrar para a faculdade, a filha do meio, Annie (Liana Liberato), começa a apresentar os sintomas comuns das adolescentes que querem se parecer mais velhas e ser aceitas entre seus pares. Publicitário bem sucedido e super envolvido com a profissão, Will procura ter uma relação de confiança com os filhos, mas Annie inicia um relacionamento no computador com um jovem de 16 anos e dá continuidade através do telefone. Sem que seus pais soubessem, ela aceita o convite dele para um encontro, mas a surpresa que ela tem no primeiro momento é só o começo de um pesadelo que marcará para sempre a sua vida e a de sua família.








Confiar é um filme que estreou no Brasil em 2011 e, na época, eu vi no cinema e saí estarrecida da sessão. Annie (Liana Liberato) é uma adolescente de 14 anos, filha do meio do casal Will (Clive Owen) e Lynn (Catherine Keener) e, como muitas meninas dessa idade, é bastante insegura. Annie tenta se sentir aceita pela turma dos mais “descolados” na escola, já que está no primeiro ano do Ensino Médio e, para ela, nessa etapa escolar é tudo diferente. Ela também está tentando entrar para a equipe de vôlei da escola. Apesar de seus pais serem pessoas aparentemente compreensíveis, Annie acha que ninguém a entende, que todos a julgam e se sente, muitas vezes, sozinha com os seus problemas. Então, passa o tempo no teen chat, fazendo amizades virtuais. Numa das vezes, conhece um garoto de 16 anos chamado Charlie, que reside na Califórnia, que também gosta de esportes e que parece ser um amigo confiável para os momentos de solidão de Annie. Charlie acaba tornando-se uma pessoa muito importante para a menina, que lhe fala sobre o seu cotidiano, suas aflições e até suas intimidades. Charlie parece ser tudo aquilo que Annie sempre quis, no entanto, ele está na Califórnia.


A trama muito bem construída vai nos mostrando esse dia-a-dia a que todos nós estamos sujeitos: a influência que a internet tem sobre nós. Basta sairmos de casa e observarmos as pessoas a nossa volta e quantas delas usam o telefone móvel diante de nossos olhos; quantas delas usam o tablete ou computadores portáteis. Quantas estão online? No entanto, o filme não trata apenas da internet. Ele mostra como continuamos sujeitos a diversos perigos, apesar de possuirmos tecnologia para proteger nossa privacidade.
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Aí que surge uma oportunidade e Charlie convence Annie a se conhecerem pessoalmente. A partir desse encontro a vida de Annie muda para sempre. Ela descobre que Charlie não é um garoto de 16 anos, mas um homem bem mais velho que usa um discurso bastante convincente para conquistar a menina. Annie, que já estava seduzida há bastante tempo (eles conversavam pela internet há meses!), acaba se levando pela situação.


As cenas seguintes são de uma mistura de sentimentos complicados de descrever. A situação é muito impactante pois a atriz que interpreta a Annie é realmente uma adolescente de 14 anos. Então, deparamo-nos com uma menina que estava empolgada para conhecer a sua paixão de internet e, de repente, tem os seus sonhos destruídos pois tanto a imagem que ela tem de Charlie quanto a idealização de sua primeira experiência sexual transformam-se completamente. E Annie não sabe muito bem o que pensar sobre o ocorrido. A reação da menina ao encontrar Charlie é de decepção e de medo, ela sabe que algo não estava certo, mas, ao mesmo tempo, ela nega a possibilidade de ter sido vítima de estupro. Em alguns momentos Annie defende Charlie e ficamos perplexos diante disso já que a menina afirma ter transado com o namorado e fantasia o fato, dizendo que eles estão apaixonados.





Diante do acontecimento, o filme não pretende responsabilizar alguém, mas mostrar o desgaste familiar. O pai, Will, completamente furioso, determinado a encontrar aquele que estuprou sua filha. Clive Owen, a meu ver, tem uma performance muito verdadeira pois ele mostra esse pai bastante conflituoso: Will só pensa em matar o estuprador e, ao mesmo tempo, sente-se culpado por não ter protegido a filha, Além disso, ele é publicitário e realiza uma campanha bastante apelativa, sexualmente falando. A mãe, Lynn, tenta apoiar a filha através de carinho e compreensão, deixando que o FBI resolva o caso. Annie, interpretada pela Liana Liberato (aliás, que atriz! 14 anos e já interpreta tão bem...), vive essa confusão de sentimentos, tentando compreendê-los através da terapia. E, por falar nisso, a terapeuta é vivida pela sensacional Viola Davis, atriz competente que cria uma personagem que busca auxiliar a menina através da perspectiva da própria Annie perante o acontecimento.





Não poderia deixar de mencionar sobre o querido David Schwimmer (sim, gente! O Ross de Friends!) que eu descobri, pesquisando sobre o filme, ele é diretor de uma fundação de apoio à vítima de assédio sexual (vocês sabiam disso?). Como ele é bastante envolvido nessa causa, resolveu desenvolver esse projeto para denunciar o abuso sexual e mostrar às pessoas o quanto é necessário esse tipo de discussão.


O filme possui classificação 14 anos aqui no Brasil e eu passei para as minhas turmas nas escolas em que trabalho. As discussões a partir da exibição do filme foram ótimas! Alguns alunos identificaram-se bastante com a Annie, defendendo-a e compreendendo as suas reações e outros já pensaram diferente sobre isso, culpando algumas pessoas pelos acontecimentos. O debate foi muito importante e acredito que é imprescindível esse tipo de conversa em nossos lares e nas nossas escolas. Infelizmente, o aspecto humano de nossa sociedade parece desaparecer quando nos vemos frente a esses episódios infelizes. No entanto, o filme é muito mais que uma denúncia. Os conflitos mostrados em Confiar são tão complexos e intensos que a cena final – belíssima – me assombra até hoje.


Assista ao trailer de Confiar (2010)



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E você, já assistiu ao filme? Conta para mim nos comentários! ;)

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Ana Karina (ou só Karina) é a criadora e autora do blog Da Literatura. É gaúcha de Porto Alegre, geminiana tagarela e mãe da Capitu e do Bilbo. Atua como professora de Literatura e Língua Portuguesa da rede municipal e ama a sua profissão. Viciada em livros, cinema, arte e cultura geek. Adora viajar, conversar e fazer piadas sem graça.

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