José de Alencar e o Dia Nacional da Literatura Brasileira

01/05/2018

Você sabia que hoje é Dia Nacional da Literatura Brasileira? Esta data foi escolhida para homenagear a nossa literatura por ser o aniversário de um dos nossos escritores mais representativos: José de Alencar.

Vamos conhecer um pouco sobre o escritor?


José Martiniano de Alencar (1829 -1877)



Quem já cursou o Ensino Médio (ou está cursando) com certeza já ouviu falar José de Alencar. Confesso que, quando eu estava na escola, eu achava a obra deste romancista um pouco maçante, achava que ele enrolava demais… No entanto, hoje, após estudar a literatura brasileira de forma mais aprofundada na faculdade e no mestrado, percebo a importância que esse escritor possui para a formação da nossa literatura.

Alencar consolidou o romance brasileiro ao escrever movido por um sentimento de “missão patriótica”. Temos a nítida impressão de que durante sua carreira, ele quis senão descobrir a essência da nacionalidade. É por isso que seus romances tratam do indígena, do homem do interior, do homem da cidade. Alencar retrata os costumes de cada uma das regiões que ele procura descrever. Além disso, sua linguagem é de uma riqueza e de uma beleza que, muitas vezes, temos a impressão de que alguns romances são poesia:


Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema. Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que as asas da graúna e mais longos que o talhe da palmeira. O favo da jati não era doce como o seu sorriso, nem a baunilha recendia no bosque como o teu hálito perfumado.
José de Alencar. Iracema.


Iracema (1884), de José Maria de Medeiros.Obra inspirada no romance de José de Alencar.


José Martiniano de Alencar nasceu em 1º de maio de 1829, em Messejana, Ceará. Ele foi o fruto de uma da união entre o padre José Martiniano de Alencar e a prima Ana Josefina de Alencar. Essa paixão proibida resultou no abandono da batina pelo pai do escritor e na ida da família ao Rio de Janeiro onde o pai de José de Alencar assumira o cargo de senador em 1830. Quatro anos depois, a família retorna ao Ceará pois Martiniano fora nomeado governador do Estado.

Alencar estreou na ficção somente em 1856, com a obra Cinco Minutos. Antes disso, já consolidara a sua carreira política sendo ministro da Justiça do Segundo Reinado.


Monumento de Iracema, musa do romance indianista de José de Alencar. Um dos três dedicados à Iracema criados em Fortaleza.




Em 1857, revelou-se um escritor mais maduro com a publicação, em folhetins, de O Guarani, que lhe conquistou grande popularidade. Daí para frente escreveu romances indianistas, urbanos, regionais, históricos, romances-poemas de natureza lendária, obras teatrais, poesias, crônicas, ensaios e polêmicas literárias, escritos políticos e estudos filológicos. A parte de ficção histórica, testemunho da sua busca de tema nacional para o romance, concretizou-se em duas direções: os romances de temas propriamente históricos e os de lendas indígenas. Por estes últimos, José de Alencar incorporou-se no movimento do indianismo na literatura brasileira do século XIX, em que a fórmula nacionalista consistia na apropriação da tradição indígena na ficção, a exemplo do que fez Gonçalves Dias na poesia.

Sua obra é da mais alta significação nas letras brasileiras, não só pela seriedade, ciência e consciência técnica e artesanal com que a escreveu, mas também pelas sugestões e soluções que ofereceu, facilitando a tarefa da nacionalização da literatura no Brasil e da consolidação do romance brasileiro, do qual foi o verdadeiro criador.

Faleceu no Rio de Janeiro, de tuberculose, aos 48 anos de idade.


Teatro José de Alencar - Fortaleza, Ceará



OBRAS DO AUTOR

ROMANCE
Cinco minutos – 1856; O guarani; A viuvinha – 1857; Lucíola – 1862; Diva – 1864; Iracema; As minas de prata – l.º vol. – 1865; As minas de prata – 2.º vol. – 1866; O gaúcho; A pata da gazela – 1870; Guerra dos mascates – l.º vol. ; O tronco do ipê – 1871; Sonhos d’ouro; Til – 1872; Alfarrábios; Guerra dos mascates – 2º vol. -1873; Ubirajara – 1874; Senhora; O sertanejo – 1875; Encarnação – 1893

TEATRO
O crédito; Verso e reverso; Demônio familiar – 1857; As asas de um anjo – 1858; Mãe – 1860; A expiação – 1867 ; O jesuíta – 1875

CRÔNICA

Ao correr da pena – 1874

AUTOBIOGRAFIA INTELECTUAL
Como e porque sou romancista – 1893

CRÍTICA E POLÊMICA
Cartas sobre a confederação dos Tamoios- 1856; Ao imperador: Cartas políticas de Erasmo e Novas cartas políticas de Erasmo – 1865 ; Ao povo: Cartas políticas de Erasmo: O sistema representativo – 1866



O Projeto Literário de José de Alencar



* Clique aqui, para acessar a literatura de José de Alencar no portal Domínio Público.
* Acesse artigos sobre filmes baseados em obras de José de Alencar no site da Wikipedia.


E você, já leu algum romance de José de Alencar? Conte sua experiência de leitura aqui nos comentários! 


*Imagens retiradas da Internet.



Ana Karina (ou só Karina) é a criadora e autora do blog Da Literatura. É gaúcha de Porto Alegre, geminiana tagarela e mãe da Capitu e do Bilbo. Atua como professora de Literatura e Língua Portuguesa da rede municipal e ama a sua profissão. Viciada em livros, cinema, arte e cultura geek. Adora viajar, conversar e fazer piadas sem graça.

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