SÉTIMA ARTE: A FORMA DA ÁGUA

01/02/2018

Título original: The Shape of Water
Lançamento no Brasil: 1 de fevereiro de 2018
Direção de Guillermo Del Toro
Roteiro de Guillermo Del Toro e Vanessa Taylor.
Elenco: Sally Hawkins, Michael Shannon, Octavia Spencer, Doug Jones, Richard Jenkins.
Gênero: Fantasia, Romance, Horror, Aventura.
Duração: 123 minutos




SinopseEm meio aos grandes conflitos políticos e bélicos e as grandes transformações sociais ocorridas nos Estados Unidos, Elisa (Sally Hawkins), zeladora em um laboratório experimental secreto do governo, conhece e se afeiçoa a uma criatura fantástica mantida presa no local. Para elaborar um arriscado plano de fuga ela recorre a um vizinho (Richard Jenkins) e à colega de trabalho Zelda (Octavia Spencer).


.


A Forma da Água, indicado a 13 premiações no Oscar 2018, estreia hoje nos cinemas. O filme é de Guillermo Del Toro e, quem conhece e acompanha o trabalho deste diretor, já sabe que ele é fã de incluir uma criaturinha esquisita em suas obras. Ou monstros, como queiram chamar. Diferentemente de O Labirinto do Fauno que me deixou inquieta e nervosa do início ao fim quando o assisti pela primeira vez, o novo longa de Guillermo Del Toro vai se revelando como uma belíssima homenagem aos contos de fadas.


E, como todo conto de fadas, A Forma da Água tem um narrador que nos apresenta um conto de uma princesa sem voz e de uma história de amor. E de um monstro.



Elisa Esposito, protagonizada por Sally Hawkins, é uma mulher muda que trabalha como funcionária da limpeza em uma base do governo norte-americano que inclui um laboratório secreto de pesquisa científica. A rotina de Elisa é bem repetitiva. Desde o despertar e as pequenas tarefas antes de sair de casa até o bater ponto no trabalho. Um cotidiano noturno que se repete infinitamente, ao que parece.

Em uma das noites de trabalho, uma criatura aquática – mais parecida com um homem anfíbio -  é levada ao laboratório e mantida em cativeiro. Elisa é a funcionária encarregada da limpeza deste laboratório e, cheia de compaixão pelo tratamento desumano que recebe a forma (como é denominada a criatura pelo responsável do laboratório), tenta se comunicar com ela através do alimento, da música e dos sinais tão comuns à comunicação sem voz de Elisa.

Aos poucos, vemos Elisa se afeiçoando à forma e incluindo em seu dia-a-dia a visita e a conversa com este ser. Mas como em toda história de princesa é necessária a presença de um vilão ou de um fator de desequilíbrio, os norte-americanos decidem usar a criatura como cobaia na corrida espacial. Estamos em plena década de 60, época em que EUA e Rússia preocupam-se em ser os primeiros a levar o homem à Lua e é neste momento que conhecemos o agente Strickland, interpretado por Michael Shannon.

Quando Elisa percebe que a criatura corre perigo de vida, convence o seu vizinho Giles (Richard Jenkins) e a sua colega Zelda (Octavia Spencer) a ajudar num elaborado plano para salvar seu amigo anfíbio.

Doug Jones, conhecido por interpretar personagens não-humanos no cinema,
dá vida à "forma" da água.


Acredito que o enredo lembra diversos filmes que já vimos antes. Uma criatura é capturada, estudada, machucada, mal compreendida pelo ser humano até que aparece uma pessoa de bom coração para ajudar. Realmente a impressão é a de que não teremos novidade durante a narrativa. No entanto, apesar da simplicidade do enredo, A Forma da Água me cativou e me surpreendeu. Inicialmente a paixão de Elisa pelo monstro me deixou bastante incomodada, confesso. Lembrou-me um pouco de A Bela e a Fera, conto clássico em que uma mulher se relaciona com uma criatura. Porém, a identificação de Elisa com este homem anfíbio me parece muito mais intensa. Aqui, não se trata apenas de amar aquilo que é feio aos olhos dos outros. Elisa o ama por ele ser tão inadequado a este mundo quanto ela. Aliás, a cena em que ela convence Giles a ajudá-la é de uma beleza tão grande que me fez chorar e entender o porquê aquela situação aparentemente estranha começou a ser crível para mim. A cena me ganhou. A história me convenceu.




O elenco é maravilhoso. Sally Hawkins, indicada a Melhor Atriz por este trabalho, interpreta de forma encantadora a muda Elisa. O indicado a Melhor Ator Coadjuvante, também por este filme, Richard Jenkins desempenha o papel de narrador da história e vizinho Giles. Além de boas risadas em alguns momentos bem tensos do filme, este personagem é tão rico em detalhes quanto a protagonista. O seu dia-a-dia em meio a seus gatos, suas pinturas e sua apreciação por musicais da década de 40 faz-nos perceber que é um personagem tão solitário e sonhador quanto Elisa. Outra indicação pela atuação é da atriz Octavia Spencer, vencedora por seu trabalho sensacional em Histórias Cruzadas (The Help, 2011) – quem não assistiu não sabe o que está perdendo! – está concorrendo novamente ao prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante. Considero excelente o trabalho desta atriz mas confesso que não compreendi, dessa vez, essa indicação. A personagem Zelda é ótima, é “a voz” de Elisa em grande parte das cenas e também é responsável por diversos momentos engraçados, mas conhecendo o trabalho de Octavia Spencer, acredito que este não é, necessariamente, digno de Oscar.




A Forma da Água foi indicado a 13 premiações, como já mencionei. Ainda não vi todos os filmes indicados, mas creio que é realmente um dos grandes favoritos. Não só a atuação, mas aspectos técnicos como a trilha sonora e fotografia foram ricamente trabalhados. A trilha sonora é magnífica. É delicada, contrastando com o aspecto mais sombrio do filme. As cores do filme, predominando o azul e o verde, parecem carregar o público para junto história na água.

A Forma da Água é uma verdadeira obra de arte. Não deixe de ir ao cinema e ser embalado por esse conto de fadas de Guillermo Del Toro.



Assista ao Trailer Oficial



Ana Karina (ou só Karina) é a criadora e autora do blog Da Literatura. É gaúcha de Porto Alegre, geminiana tagarela e mãe da Capitu e do Bilbo. Atua como professora de Literatura e Língua Portuguesa da rede municipal e ama a sua profissão. Viciada em livros, cinema, arte e cultura geek. Adora viajar, conversar e fazer piadas sem graça.

0 comentários via Blogger
comentários via Facebook

Nenhum comentário:

Postar um comentário