Resenha: Wicked - Gregory Maguire

13/01/2018

Título: Wicked
Autor: Gregory Maguire
Editora: Leya
Ano de publicação: 2016
Número de páginas: 496
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*Resenha também publicada como colaboração no blog Segredos Entre Amigas em dezembro/2016. 


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Sinopse: Imagine acompanhar a clássica e prestigiada história de O Mágico de Oz, de L. Frank Baum, pela perspectiva de Elfaba, a Bruxa Má do Oeste! Em Wicked, Gregory Maguire nos proporciona essa chance de conhecer o outro lado da moeda, e mergulhamos novamente no fantástico mundo da Terra de Oz.
Neste livro, descobrimos todos os detalhes da vida da garota de pele verde que cresceu cercada de desafios e preconceitos, até se tornar uma bruxa infame uma esperta, irritadiça e incompreendida criatura que põe à prova todas as noções sobre a natureza do bem e do mal. A improvável amizade da Bruxa Má do Oeste e Glinda, a Bruxa Boa do Norte, donas de personalidades tão opostas que se tornam melhores amigas; a rivalidade das duas ao se interessarem pelo mesmo homem; e a reação ao governo corrupto do Mágico de Oz também estão no foco de Wicked.
A obra de Gregory Maguire arrebatou milhões de pessoas em todo o mundo e baseou um musical na Broadway, que, desde sua estreia, em 2003, já quebrou diversos recordes e conquistou muitos prêmios, incluindo o Tony Awards, considerado o Oscar do teatro. Em 2016, o musical estreou em São Paulo.



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"As pessoas nunca descobrem como a bruxa má se tornou malvada ou se essa foi a escolha certa para ela. Será que essa é a escolha certa em algum momento?"



Wicked, livro de Gregory Maguire, conta a história da Bruxa Má do Oeste. A obra foi publicada em 1995 e, aqui no Brasil, com o título de Maligna, em 2007, pela Ediouro. Após o grande sucesso do musical da Broadway, inspirado no texto de Maguire, e com a estreia marcada para o ano de 2016 em São Paulo, a editora Leya fez essa linda edição mantendo o título original.


Wicked conta a história de Elfaba, uma menina insegura e rejeitada logo em seu nascimento tanto pela mãe, Melena, quanto pelo pai, Frex, um sacerdote unionista (a principal religião de Oz) que acreditava em um mito sobre o retorno do mal à humanidade. Algumas situações do nascimento de Elfaba contribuíram para que seu pai desconfiasse que ela era e encarnação deste mito, isto é, como se o mal do mundo tivesse nascido com ela: a menina não chorou após o parto, sua pele era verde e possuía dentes tão afiados que a mãe se negou a amamentá-la com medo de que ela decepasse o seio.


Os pais, que não sabiam como lidar com a situação, recorreram à velha Babá de Melena, a fim de que esta os ajudasse na criação de Elfaba. A Babá achou a menina adorável mas percebia que ela estava começando a desenvolver algumas características um tanto intrigantes. Então, tratou de cuidar da menina o melhor possível, para que esta pudesse ter uma vida normal em contato com outras crianças.


O início do livro trata, então, da infância de Elfaba e como ela cresceu sendo menosprezada por essa família, que a considerava um castigo vindo do Deus Inominável, e por todos ao seu redor.


Alguns anos depois, encontramos Elfaba – ou Elfinha, como passou a ser chamada pelos amigos – já adolescente, vai para Shiz, uma escola para garotas localizada no centro econômico e político de Oz, Esmeralda. Em Shiz, ela conhece Galinda, sua colega de quarto mimada e orgulhosa, que se preocupa somente com dinheiro, roupas, joias e amizades que combinem com o seu nível social.


Como sempre, Elfinha continua sendo desprezada pelas pessoas que convive na e sente-se, muitas vezes, como alguém muito diferente dos seus colegas. Elfaba é bastante engajada em assuntos políticos e científicos, desenvolvendo um interesse no estudo sobre Animais (com A maiúsculo mesmo), que são animais falantes e com raciocínio lógico. A partir de suas pesquisas, Elfaba acaba por se envolver em discussões que dizem respeito aos direitos dos Animais pois, pelo que diziam, o Mágico restringiu a liberdade deste grupo e ameaça transformá-los em seres que podem ser negociados pelos habitantes de Oz, transformá-los realmente em animais. Descontente com essa situação, Elfaba passa a trabalhar escondida com o seu professor, o Doutor Dillamond, um Bode que pesquisa as semelhanças e as diferenças entre humanos e Animais. Suas experiências científicas resultam na comprovação da igualdade entre humanos e Animais, ou seja, os Animais são seres dotados de inteligência e, por isso, devem ter os mesmos direitos que os humanos. Doutor Dillamond, no entanto, morre sob circunstâncias misteriosas e Elfaba acredita que ele foi assassinado, possivelmente pela diretora de Shiz, Madame Morrorosa, a qual tentou recrutar Elfaba, Glinda e Nessa – irmã de Elfaba e a futura Bruxa Má do Leste – como agentes para o Governo.

"Mesmo nos piores momentos - sempre há uma escolha."


Frente a essa situação, Elfinha abandona a escola e torna-se uma militante contra o regime opressor, corrupto e responsável pela ruína econômica do povo de Oz. Vive escondida e participa de várias revoltas e protestos. Após o assassinato de seu amante, Fiyero por soldados do Mágico, Elfaba resolve isolar-se com um grupo de monjas a fim de tentar se recuperar da tristeza da perda, auxiliando os fracos e doentes.


A trajetória de Elfaba até a sua transformação em Bruxa Má do Oeste é, no mínimo, surpreendente! Para quem, como eu, estava acostumada com o universo do livro criado por Baum em 1900 e o ambiente alegre e colorido do filme de 1939, deparar-se com uma Oz repleta de desigualdade social, fundamentalismo religioso e sistema político corrupto é totalmente inesperado. A temática política está muito presente no texto de Maguire que cria um cenário nada amistoso e bastante perturbador.


A crítica social contida no livro é o ponto crucial da trama pois é a partir da visão que Elfaba possui sobre Oz que a personagem se desenvolve psicologicamente. O leitor acompanha suas lutas, seus medos e seus ideais. A construção da personagem é incrível pois em momento algum podemos realmente dizer que ela é uma bruxa inteiramente má. Aliás, questionei bastante essa visão que possuía da personagem durante a leitura de Wicked. Em alguns momentos pensei em quem realmente seria o vilão: Elfaba? Madame Morrorosa? O Mágico? A verdade é que o escritor mostra a relatividade do conceito de maldade e deixa os leitores decidirem se a protagonista é essencialmente má ou se ela se tornou má. Acredito, também, que Maguire tenta mostrar ao leitor como esses conceitos de bondade e maldade não são definitivos, limitadores e que a vida real é muito complicada. Elfinha seria vítima de uma sociedade preconceituosa, corrupta e intolerante? Talvez. Mas em diversos momentos questionamos seus atos e suas reflexões sobre a vida.


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Wicked, de Gregory Maguire, é um livro obrigatório para os fãs de O Mágico de Oz. O escritor nos traz uma releitura instigante e surpreendente, superando as expectativas dos leitores. Recomendo para quem gosta de histórias ambientadas em Oz, para quem gosta de histórias políticas e filosóficas e, também, para toda pessoa que acredita que nem todas as bruxas são realmente más.


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*Fotos tiradas pela linda Denise Valente do blog Sacudindo as Palavras.


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Ana Karina (ou só Karina) é a criadora e autora do blog Da Literatura. É gaúcha de Porto Alegre, geminiana tagarela e mãe da Capitu e do Bilbo. Atua como professora de Literatura e Língua Portuguesa da rede municipal e ama a sua profissão. Viciada em livros, cinema, arte e cultura geek. Adora viajar, conversar e fazer piadas sem graça.

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Um comentário:

  1. Esse livro deve ser lindo! A peça chegou aqui em São Paulo há alguns anos atrás, mas acabei perdendo. O jeito é comprar e ler o livro (que deve ser até melhor que a peça).
    Amei sua resenha <3

    Toca da Lebre

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