Resenha: Kenobi - John Jackson Miller

09/01/2018


Título: Kenobi: Star Wars
Autor: John Jackson Miller
Editora: Aleph
Ano de publicação: 2015
Número de páginas: 528
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Sinopse: A República foi destruída, e agora a galáxia é governada pelos terríveis Sith. Obi-Wan Kenobi, o grande cavaleiro Jedi, perdeu tudo... menos a esperança. Após os terríveis acontecimentos que deram fim à República, coube ao grande mestre Jedi Obi-Wan Kenobi a missão de proteger aquele que pode ser a última esperança da resistência ao Império. Vivendo entre fazendeiros no remoto e desértico planeta Tatooine, nos confins da galáxia, o que Obi-Wan mais deseja é manter-se no completo anonimato e, para isso, evita o contato com os moradores do local. No entanto, todos esses esforços podem ser em vão quando o “Ben Maluco”, como o cavaleiro passa a ser conhecido, se vê envolvido na luta pela sobrevivência dos habitantes de um oásis esquecido no meio do deserto e em seu conflito contra o perigoso Povo da Areia.




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Star Wars: Kenobi é um livro que pertence ao universo expandido da saga criada por George Lucas e trata do exílio de Obi Wan Kenobi, em Tatooine, após a queda da República e a ascensão do Império. O livro foi publicado no Brasil pela editora Aleph em 2015 e eu tive o prazer de ganhá-lo de presente da minha linda irmã e, confesso, deixei para o ler somente neste ano e que penso ter esperado muito.



Antes de começar a falar sobre a leitura que fiz deste livro, acho necessário dizer a importância de conhecer os episódios I, II e III da saga pois a narrativa de Kenobi situa-se, justamente, entre os episódios III e IV e, caso o leitor não conheça os três primeiros episódios (como assim?), ou não compreenderá o que está acontecendo, ou lerá diversos spoilers. Então, gente, assistam aos filmes!!! :D


Ao final do episódio III, o Império Galático, totalitário e ditatorial, ascendeu na figura do Imperador Palpatine. A seu lado, o Lord Sith Darth Vader fortalece esse governo tirano e opressor, que tentava garantir a ordem e a lealdade através da força e do medo. Diante dessa situação que inicia Kenobi. Ao abrirmos o livro, deparamo-nos com uma imagem do Yoda com a seguinte frase: “Até que a hora certa seja, desaparecer iremos.”, para quem é fã e se lembra de muitas falas dos filmes, vai perceber que esse é um momento crucial da saga, ou seja, muitos Jedis foram assassinados e os restantes devem se proteger, esconder-se até que chegue o momento de eles lutarem novamente.


Obi Wan torna-se responsável pela proteção de Luke Skywalker e leva-o, ainda bebê, ao planeta Tatooine (aquele que tem os dois sóis no filme, lembram?) para que ele seja criado pelos tios Owen e Beru. Ao fazer isso, Ben (como decide se chamar agora) tenta manter o anonimato para se proteger e também para proteger o menino, já que este pode ser a salvação de toda a galáxia.


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Lendo este pequeno resumo, poderíamos nos perguntar porque uma trama aparentemente simples está em um livro de mais de 500 páginas? Então, eu já lhes aviso: se vocês estão achando que encontrarão personagens conhecidos no enredo de Kenobi, estão enganados. Como falei, a obra faz parte do universo expandido de Star Wars e vamos conhecer personagens além dos filmes. Não só isso! Vamos nos surpreender com alguns personagens que conhecemos e que são apresentados de forma bastante cuidadosa por John Jackson Miller.


O livro é dividido em quatro partes e a base da trama, pelo menos no início, é o conflito entre os fazendeiros de umidade e os Tuskens – o temido Povo da Areia. Na primeira parte do livro, conhecemos os personagens do Lote um armazém no oásis – praticamente o único. O Lote é um local pacífico e frequentado pelo público local, os fazendeiros de umidade, que possuem uma organização, o “Chamado dos Colonos”, um serviço de proteção para esses fazendeiros sobreviverem aos ataques dos Tuskens. Nesta parte do livro, normalmente dizem que o clima é de “western”. Após a leitura eu compreendi a comparação feita. Pode-se dizer aqui que John Jackson Miller inspirou-se nos combates entre cowboys e índios norte-americanos, bastando pensar nos fazendeiros de umidade como os conquistadores do território atrás de riquezas – no caso deste livro, a água – e os Tuskens são os nativos da região desértica de Tatooine, que tiveram sua cultura e seus costumes afetados a partir da chegada dos colonos.


Ben, que resolve morar no meio do deserto e ter uma vida discreta, vê-se diante desse conflito e, a tarefa que antes parecia ser muito simples, difícil torna-se. Sua cabana é muito precária e, afim de adquirir produtos para a sua sobrevivência, ele conhece Annileen Calwell – a dona do local – e o fazendeiro Orrin Gaut – o “chefe” do Chamado dos Colonos – e os familiares destes personagens. Após entrar em contato com essas pessoas, Ben dá-se conta que ser discreto é quase impossível pois os acontecimentos a sua volta sempre o fazem usar a Força para salvar a vida de alguém. Ao mesmo tempo que Ben vai chamando a atenção dos colonos, o cavaleiro Jedi entra em conflito com sua missão e consigo mesmo quando percebe as dificuldades para manter o seu segredo.


O livro é sensacional! Apesar de sua extensão, o que pode desanimar algumas pessoas, a narrativa possui um ritmo bastante intenso. Os personagens são densos, o escritor consegue deixar-nos muito curiosos para entender as suas motivações, suas visões de mundo e os seus conflitos morais. Acredito que John Jackson Miller conseguiu deixá-los extremamente humanos, não conseguimos dizer que um personagem é essencialmente bom ou mau, eles agem conforme as suas crenças e seus juízos de valor.


Aliás, cabe aqui falar do Povo da Areia. Estes personagens que, nos filmes, aparecem de forma tão primitiva, tão violenta, e que sempre me despertou curiosidade. Nunca compreendi os objetivos do Povo da Areia, nunca pensei nos motivos deles e a versão apresentada para eles em Kenobi é simplesmente maravilhosa. O texto inicia, justamente, falando de uma lenda dos Tuskens que explica a origem dos dois sóis de Tatooine. Quando li essa parte fiquei muito INTRIGADA. Fiquei pensando em como não questionei a mim mesma, como não pensei sobre as possíveis lendas dos Tuskens? Então, para quem quer ter uma outra visão desse povo, vale a pena ler o que John Jackson Miller escreveu neste livro sobre eles. O autor conseguiu humanizar os Tuskens através do personagem A’Yark, líder do Povo da Areia. Miller foi muito, mas muito cuidadoso ao descrever o passado do povo, suas lendas e costumes e alguns detalhes bastante reveladores.


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Eu teria muito mais para falar de Star Wars: Kenobi, mas é provável que eu me emocione e acabe estragando a surpresa. Leiam o livro, gente, leiam o livro! Recomendo para quem é fã da saga, para quem não é fã também. Quem gosta de ficção científica, aventura, história de amor e traição e lutas com seres alienígenas (sim, Ben luta com uns bichos muito bizarros!) vai amar a leitura.


E se eu ainda não os convenci, gostaria de dizer que cada um dos livros dessa coleção vem com um lindo marcador de página no formato de um sabre de luz! <3


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Beijos e até!




Ana Karina (ou só Karina) é a criadora e autora do blog Da Literatura. É gaúcha de Porto Alegre, geminiana tagarela e mãe da Capitu. Atua como professora de Literatura e Língua Portuguesa da rede municipal e ama a sua profissão. Viciada em livros, cinema, arte e cultura geek. Adora viajar, conversar e fazer piadas sem graça.

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