3 CLÁSSICOS DO HORROR QUE VOCÊ DEVERIA LER

11/10/2017




E o nosso Mês do Horror continua! Hoje eu venho trazer dica de leitura para quem ainda não se aventurou nas páginas de clássicos do horror. Esses livros sempre aparecem nas listas sobre o gênero porque, além de eles serem obras consagradas para a história da literatura da humanidade, eles possuem elementos muito importantes que representam o horror de forma bastante competente. Eu diria que, após realizar a leitura dessas obras, o leitor irá repensar sobre os próprios conceitos em relação ao que acredita ser terror, sobrenatural e medo.




O primeiro livro que sugiro é Frankenstein, de Mary Shelley. O texto foi escrito originalmente em 1818, sem crédito para a autora na primeira edição (olhem que absurdo!). A terceira edição do livro, publicada em 1831 é considerada como a definitiva. A história possui influência de elementos científicos: para escrevê-la, Mary Shelley inspirou-se nas experiências de Galvani, cientista que aplicava carga elétrica em corpos mortos resultando na contração dos músculos destes. No entanto, a história mais famosa em relação à escrita de Frankenstein é a de uma aposta realizada entre Lord Byron, Percy Shelley e Mary Shelley que decidem escrever contos de terror para passar o tempo durante uma tempestade que lhes obrigou a ficar em casa.

O livro fala de Victor Frankenstein, cientista resgatado à beira da morte por um navio que se dirige ao Ártico. Ele narra sua história para o capitão Walton, também homem de ciência. Ainda estudante, ele descobre como dar vida a corpos inanimados. Constrói um ser de estatura gigantesca, mas, assim que alcança sua meta, é atingido pelo horror e acaba abandonando-a. A criatura sobrevive e se refugia junto a uma família. Aprende a falar, a entender os sentimentos dos humanos e percebe o que não tem: família, propriedade, carinho e amor.

 Com uma personalidade a um só tempo dócil e cruel, forjada numa existência solitária no mundo, o monstro decide ir atrás de seu criador. Mas é novamente rejeitado e, amargurado pelo modo odioso com que é tratado pelas pessoas, inicia a mais cruel das vinganças, que desencadeia uma dupla perseguição e um inevitável fim trágico.

A importância de Frankenstein é inegável. Mary Shelley criou uma obra que questiona a moralidade e a responsabilidade da ciência. O livro origina uma estética literária bastante peculiar: narrativa com elementos de horror e de ficção científica. Hoje talvez não seja novidade para nós, mas devemos considerar que é uma obra do século XIX. Se eu não te convenci até agora, gostaria também de salientar a importância de Mary Shelley como personalidade literária consagrada: ela era filha de mãe feminista e de pai filósofo e jornalista, recebendo uma educação pouco comum para a época. O fato de Mary Shelley ser mulher, escritora de narrativa de horror e ficção científica já é motivo suficiente para ter o devido destaque na história da literatura ocidental.




O segundo livro que sugiro é O Estranho Caso de Dr Jekyll e Mr Hyde, de Robert Louis Stevenson. A história também é conhecida como O Médico e o Monstro. Publicado em 1886, o romance foi um sucesso imediato. A história narra as experiências de um médico que, numa “noite maldita”, tomou uma poção fumegante de coloração avermelhada e descobriu “a dualidade absoluta e primordial do homem”. Acredito que o mais interessante em O Médico e o Monstro é que Stevenson retrata o horror de forma surpreendente, mostrando que o perigo não está do lado de fora, mas do lado dentro, na parte obscura da alma humana.






Drácula, de Bram Stoker é um dos meus livros da vida. Sério. Eu o li na época da faculdade e, novamente, em 2015. Todas as vezes que o leio, percebo que é uma obra sensacional e que faz todo o sentido ele ser um dos grandes clássicos da literatura universal.

O texto de Bram Stoker popularizou a figura do vampiro, personagem mítico que já fazia parte do imaginário europeu. O escritor estabeleceu algumas regras sobre como combater esses seres noturnos e, até hoje, muitos elementos citados durante a narrativa são utilizados em histórias de vampiros. No entanto, não é somente nesse aspecto que a obra de Bram Stoker se destaca. A estrutura da narrativa é composta por fragmentos de diários, cartas, reportagens de jornais e relatos de bordo, descrevendo o horror dos acontecimentos sem esclarecer para o leitor todos os fatos já que este deverá costurar essas pequenas narrativas juntamente com os personagens.

A história de Drácula gira em torno de um viajante inglês não identificado, associado a Jonathan Harker, nos momentos anteriores à sua partida para a Transilvânia, onde o mesmo se depara com acontecimentos sobrenaturais, forças desconhecidas e criaturas fantásticas. Jonathan é mantido em cativeiro e, após libertar-se, une-se a um grupo formado por Mina Harker, o médico holandês Van Helsing e seus amigos, que decidem caçar o conde Drácula.

Falando dessa forma, a história parece ser extremamente boba, mas não. É um dos textos mais bem escritos que li na vida.


Então, esses são os 3 clássicos do horror que sugiro a leitura. Todos eles são obras consagradas da literatura universal e trabalham o sobrenatural de forma bastante diferente uma da outra. Além disso, a linguagem, a estrutura da narrativa e o desenvolvimento dos personagens são bem marcantes, tornando-as únicas para a época e para o gênero.



Espero que tenham gostado da dica! Falem para mim se vocês já leram algum desses livros e o que acharam! 

*Imagens retiradas da Internet.


Ana Karina (ou só Karina) é a criadora e autora do blog Da Literatura. É gaúcha de Porto Alegre, geminiana tagarela e mãe da Capitu. Atua como professora de Literatura e Língua Portuguesa da rede municipal e ama a sua profissão. Viciada em livros, cinema, arte e cultura geek. Adora viajar, conversar e fazer piadas sem graça.

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