A LEITORA (MAR DE TINTA E OURO #1) - TRACI CHEE

25/08/2017

Título: A leitora (Mar de Tinta e Ouro #1)
Autora: Traci Chee
Editora: Plataforma 21
Ano de publicação: 2017



Sinopse: Era uma vez um mundo chamado Kelanna. Um lugar tão maravilhoso quanto terrível, onde ninguém sabia ler. Lá, as histórias não eram registradas em papel como esta que você está prestes a ler, elas eram simplesmente transmitidas de geração a geração. Em uma dessas lendas, falava-se de um objeto misterioso que guardava a maior magia que o povo de Kelanna já conheceu: o livro. 
Quem soubesse interpretá-lo teria acesso a um poder inimaginável. 
Após o assassinato de seu pai por uma organização misteriosa, a jovem Sefia recebe de herança um estranho objeto retangular, que pode ser a chave para desvendar seu passado. Para isso, ela precisará aprender a decifrá-lo para entender o que o torna tão valioso e se tornar uma leitora. Magia e grandes perigos, como o terrível Flagelo do Leste e sua famosa frota de piratas, cruzarão seu caminho. Mas você se engana se acha que Sefia enfrentará tudo sozinha… Percorra cada palavra e aproveite. A aventura está só começando.




A leitora, de Traci Chee, é o primeiro livro da série Mar de Tinta e Ouro. A publicação é recente, foi lançada em 2017 pela Plataforma 21, aqui no Brasil.


A narrativa de A leitora desenvolve-se em Kelanna, um lugar onde as pessoas não sabem ler. O registro das histórias do povo não era feito através da escrita, mas sim, transmitidas de geração a geração de forma oral. Muitas lendas faziam parte do imaginário popular dos habitantes de Kelanna. Uma delas falava sobre um objeto misterioso chamado livro, que guardava a maior magia que este povo jamais conhecera. A lenda também dizia que a pessoa que decifrasse o livro, seria portador de um grande poder.

Livros são objetos curiosos. Eles têm o poder de aprisionar, transportar e, se você tiver sorte, até de transformá-lo.

É nessa situação que conhecemos Sefia, uma adolescente órfã de pai e mãe, que percorre os mais diversos espaços de Kelanna na companhia de Nin, velha senhora a qual Sefia chama de tia. Desde que fugiram de casa, há seis anos, elas sobrevivem de cidade em cidade, ou em florestas, sem se estabelecer em lugar algum. Um dia, Nin é capturada e Sefia acredita que os sequestradores são as mesmas pessoas que assassinaram seu pai.

Diante disso, Sefia percebe que o objeto retangular deixado por seus pais para que ela o protegesse com o maior cuidado era o que os sequestradores deveriam estar procurando. Sem saber ao certo o que fazer, tira-o de dentro de sua mochila e vê estranhos símbolos em seu conteúdo e, apesar de não os compreender, Sefia lembra-se de que, quando criança, aprendeu sobre eles com a sua mãe.

A partir daí, Sefia sai em uma jornada rumo ao conhecimento sobre o objeto, seus símbolos e significados e sobre a própria identidade. Conforme avança a história, Sefia vai desenvolvendo a habilidade da leitura e conhecendo pessoas que a acompanharão em sua trajetória.

[...]ela sentia que as passagens que lia no livro tinham sido escritas apenas para ela, como se a estivessem conduzindo a um entendimento maior, como tinham feito no dia em que aprendera a ler. 

A leitora é um daqueles livros que nos deixa bastante curiosos para realizar a leitura já no momento em que sabemos ambientar-se em uma terra onde as pessoas não possuem o conhecimento da escrita. As pessoas não escrevem. Não somente isso, elas não leem. E, por consequência disso, não existem livros em Kelanna. O meu lado leitora apaixonada por livros que não se imagina longe deste objeto apiedou-se pelo povo de Kelanna assim que leu a sinopse da obra. Veio-me à mente um “como assim um mundo sem livros?”. No entanto, recordei-me que a humanidade iniciou assim... A escrita veio muito depois de nós, na verdade. Após, pensei em como é interessante uma narrativa de aventura partir dessa premissa já que o livro é um material cultural tão comum, é quase impossível alguém não possuir contanto com o livro hoje em dia (eu disse quase, estou desconsiderando aqui questões econômicas, ok?). 



Sefia, sendo a única – que se sabe – habitante de Kelana de posse de um livro (no caso, d’O livro), ela é detentora de um grande poder, o conhecimento. Porém, esse poder é revelado aos poucos, conforme a protagonista compreende os símbolos descritos no livro e os interpreta à medida que percorre as estradas e os mares de Kelanna.

Nós, leitores da obra de Traci Chee, temos o privilégio de acompanhar essas descobertas de Sefia ao longo das páginas não somente da narrativa principal de A leitora, mas também do próprio texto lido pela personagem. Através de trechos sabiamente costurados pela escritora, nós também encontramos enigmas que precisam ser decifrados. É um diálogo incessante entre a obra apresentada para os leitores – nós – e a obra apresentada para a leitora – Sefia. O resultado dessa aparente loucura literária é sensacional!

O que achei mais interessante no livro é perceber as histórias dentro da história. Há um entrelaçamento entre as histórias dos diversos personagens que é incrível! É a ficção dentro da ficção. A autora realizou essa tarefa de maneira bastante eficiente e me presenteou com mais cenas do meu personagem preferido. Eu tenho uma paixão por personagens secundários e só posso dizer para vocês que as partes em que aparecem o Capitão Reed são as que mais gostei.

É realmente genial perceber que existe um recado para a protagonista ali no texto e que nós descobrimos olhando as palavras que estão próximas aos números das páginas, ou próximas a alguma mancha, ou ainda unindo letras e palavras destacadas do texto principal. As palavras saltam aos nossos olhos! Aliás, dá uma vontade danada de ajudar Sefia após descobrirmos também determinados acontecimentos ou pistas. Podemos dizer que os leitores também vivenciam a experiência de Sefia: nós também precisamos compreender as pistas deixadas pela escritora.

Traci Chee nos traz uma narrativa repleta de aventuras, mistérios, viagens, piratas, enfim, o livro é muito rico em elementos que compõem um bom livro de fantasia. Já estou aguardando o volume 2 desta trilogia para saber quais serão os próximos desafios de Sefia.

Leitura mais que recomendada!





Ana Karina (ou só Karina) é a criadora e autora do blog Da Literatura. É gaúcha de Porto Alegre, geminiana tagarela e mãe da Capitu. Atua como professora de Literatura e Língua Portuguesa da rede municipal e ama a sua profissão. Viciada em livros, cinema, arte e cultura geek. Adora viajar, conversar e fazer piadas sem graça.

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Um comentário:

  1. Como não virar fã desse blog depois de uma resenha dessas? Ana do céu, você vai me matar do coração, suas resenhas são incríveis, uma melhor que a outra!

    Fiquei curioso pra ler esse livro agora. Também quero perceber as histórias dentro da história, como você disse na resenha. Esse "entrelaçamento" que tu diz entre as histórias personagens me deixou bem interessado pelo livro, mesmo. "Ficção dentro da ficção", gostei disso.

    Parabéns pela resenha, você arrebentou, como sempre.

    Dieison Engroff, RS.

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