Universo Paralelo #31: Crítica: A Chegada

20/02/2017



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Título original: Arrival
Ano de lançamento: 2016
Direção de Dennis Villeneuve
Roteiro de Eric Eisserer
Elenco: Amy Adams, Jeremy Renner, Forest Whitaker, Tzi Ma .
Gênero: Ficção científica
Duração: 116 minutos



Sinopse: Quando seres interplanetários deixam marcas na Terra, a Dra. Louise Banks (Amy Adams), uma linguista especialista no assunto, é procurada por militares para traduzir os sinais e desvendar se os alienígenas representam uma ameaça ou não. No entanto, a resposta para todas as perguntas e mistérios pode ameaçar a vida de Louise e a existência de toda a humanidade.


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Indicado a oito Oscars, incluindo o de Melhor Filme, A Chegada é definitivamente um dos melhores filmes do ano. A história do filme retrata a aparição de doze misteriosas naves alienígenas em doze partes do mundo. Como era de se esperar, um misto de pânico e apreensão toma conta da população enquanto equipes de especialistas de cada país em que apareceu uma nave tentam descobrir mais sobre a intenção desses seres na Terra. Nos Estados Unidos, o Exército americano convoca a linguista Dra. Louise Banks (Amy Adams) para liderar uma equipe para estabelecer comunicação com os alienígenas, assim como o matemático Ian Donnelly (Jeremy Renner). Juntos, eles tentam estabelecer um diálogo com esses seres tão diferentes e intrigantes e evitar um conflito global, em um filme que explora temas como linguagem, perda e o significado de humanidade.


A direção fica por conta de Denis Villeneuve, um dos diretores mais bem cotados dos últimos anos. Ele dirigiu Os Suspeitos (2013), O Homem Duplicado (2013) e Sicário - Terra De Ninguém (2015). Como a filmografia nada fraca dele indica, Villeneuve mostra novamente que consegue criar um filme tenso e apreensivo mas cheio de sentimento, e especialmente em A Chegada, ele oscila de uma forma interessante entre blockbuster e um sci-fi profundo: é um filme acessível ao grande público mas que traz profundidade e não sente necessidade de “mastigar” a história para o espectador. O aspecto mais inovador do filme vem do fato de seu roteiro não ser linear, mas sim circular. A forma como o tempo é desenvolvido na história é intrigante e carrega muitos simbolismos. A própria retratação dos alienígenas é bem diferente, seja em sua forma física, seu jeito de pensar, se comunicar, e traz importantes questões não só sobre como a linguagem molda nosso pensamento e nossa lógica, mas como isso se reflete na organização das sociedades e na forma como estas se comunicam e interagem entre si.


A trama é centrada na personagem de Amy Adams, que muito injustamente não foi indicada ao Oscar de melhor atriz por esse papel. Ela carrega o filme com sua atuação que diz muito sem precisar ser espalhafatosa. Ela é muito expressiva e entrega um certo carisma a essa personagem, e consegue transmitir a angústia, a curiosidade e o sentimento de triunfo com as descobertas da personagem, carregando o espectador por essa jornada, já que é da Dra. Banks a perspectiva da história. É uma performance intensa e um retrato de uma personagem forte mas que não tem medo de mostrar sua vulnerabilidade. É pela história dela que se exploram outros aspectos da história, como a dor da perda e os laços familiares. Jeremy Renner e Forest Whitaker também entregam um trabalho muito bom e se encaixam muito bem na atmosfera do filme.


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A Chegada também carrega o trunfo de ser visualmente muito atrativo, tendo uma fotografia muito bonita e impactante, bem acompanhada por uma trilha sonora que deixa o espectador tenso e preso à história. Toda a trama fora desse núcleo principal de personagens segue um rumo meio previsível (as já conhecidas reações humanas à catástrofe mundial), no entanto a solução para amarrar o roteiro e fechar a história é inteligente. Gostei muito da montagem das cenas dos momentos finais do filme, fazem um bom trabalho de entregar aos poucos as respostas que o público precisa de um jeito dinâmico e bonito.


Minha conclusão é que A Chegada é um filme bonito: na sua fotografia, na sua mensagem, nas atuações e na inteligência de seu roteiro, e Denis Villeneuve terá ainda mais uma oportunidade de impactar o gênero da ficção científica, já que é o diretor de Blade Runner 2049, que estreia nesse ano.

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*Imagens retiradas da Internet






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Ana Karina (ou só Karina) é a criadora e autora do blog Da Literatura. É gaúcha de Porto Alegre, geminiana tagarela e mãe da Capitu. Atua como professora de Literatura e Língua Portuguesa da rede municipal e ama a sua profissão. Viciada em livros, cinema, arte e cultura geek. Adora viajar, conversar e fazer piadas sem graça.

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