Sétima arte #31: Estrelas além do tempo

24/02/2017



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Título original: Hidden Figures
Título no Brasil: Estrelas além do tempo
Ano de Lançamento: 2016
Direção de Theodore Melfi
Roteiro de Allison Schroeder e Theodore Melfi
Elenco: Taraji P. Henson, Octavia Spencer, Janelle Monáe, Kevin Costner, Kirsten Dunst, Jim Parsons, Glen Powell e Mahershala Ali
Gênero: drama biográfico
Duração: 127 minutos


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Sinopse: Em 1961, na Guerra Fria, os EUA e a União Soviética disputavam a corrida espacial. Além disso, na mesma época, a sociedade norte-americana sofria com a forte segregação racial. Essa situação chega aos departamentos da NASA, onde um grupo de mulheres (chamadas de computadores) são obrigadas a trabalhar à parte. Entre essas mulheres, Katherine Johnson, Dorothy Vaughn e Mary Jackson tem de enfrentar a luta de mostrar a suas competências além da cor e do sexo para ajudar os Estados Unidos a levar o homem ao espaço.

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Baseado no livro homônimo de Margot Lee Shetterly, Estrelas além do tempo começa mostrando rapidamente a infância de Katherine Johnson. Já sabemos, a partir disso, que Katherine é uma criança genial, sendo incentivada a ir para uma escola melhor, na West Virginia, ou escola de brancos, como chamavam na época. Logo em seguida, já vimos um carro quebrado no meio da estrada e três mulheres: Katherine (já adulta), Dorothy e Mary. As três mulheres conversam alegremente, mas logo avistam um carro da polícia. Nesse momento, elas ficam tensas, com medo de enfrentar a polícia e uma frase dita por Katherine (se não me falha a memória) fica na memória: não é crime ser negro. Essa sequência é uma amostra de que o filme irá passear pelo cômico e pelo drama num piscar de olhos, mas irá fazer isso de forma muito competente, não perdendo o ritmo em nenhum momento.


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Estrelas além do tempo pode até focar na questão racial, mas algo que vem nas entrelinhas, mas que está muito marcado no filme, é o empoderamento feminino. São três mulheres que entendem – muito melhor, diga-se de passagem – de cálculos. O espanto inicial do policial ao abordar às três mulheres não foi somente porque eram negras, mas porque também eram mulheres. Pode-se ver esse tipo de questionamento o tempo inteiro no filme: eles permitem que mulheres trabalhem na NASA?,  pergunta o interesse amoroso de Katherine. Mary Jackson sonha em ser engenheira: a primeira engenheira negra. Os discursos das personagens em resposta a esses questionamentos diários são de chacoalhar qualquer coração, até mesmo o mais duro.


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É um filme importante e necessário. Pelo discurso de empoderamento racial e feminino, por mostrar que mesmo em tempos difíceis nada é impossível. Mary sonha em ser engenheira num mar de homens brancos. Dorothy sonha em entrar na biblioteca e pegar um livro para estudar e se tornar supervisora. Katherine sonha em deixar de ser apenas um computador e tomar café junto com todo mundo. Para nós, isso são pequenas ações. Para elas, naquela época, eram grandes passos: para elas e para as que viriam após elas.


Estrelas além do tempo foi indicado a três Oscars: melhor filme, melhor roteiro adaptado e melhor atriz coadjuvante (Octavia Spencer). Não tem grandes chances de ganhar nenhum dos prêmios a que foi indicado, mas sua importância de maneira alguma diminui em tempos de Trump e construção de muros. É um filme para se repensar atitudes passadas e diárias, pois de forma alguma o preconceito racial e sexual deixou de existir. Devemos combatê-los pouco a pouco, com pequenos passos, com firmeza e fé, como nos ensinou Katherine, Dorothy e Mary.


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*Imagens retiradas da Internet


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Ana Karina (ou só Karina) é a criadora e autora do blog Da Literatura. É gaúcha de Porto Alegre, geminiana tagarela e mãe da Capitu. Atua como professora de Literatura e Língua Portuguesa da rede municipal e ama a sua profissão. Viciada em livros, cinema, arte e cultura geek. Adora viajar, conversar e fazer piadas sem graça.

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