[Resenha] Cidades de papel - John Green

07/09/2015

Título: Cidades de papel
Autor: John Green
Editora: Intrínseca
Ano de publicação: 2013
Edição: 1
Número de páginas: 368
ISBN: 9788580574555


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Sinopse: Quentin Jacobsen tem uma paixão platônica pela magnífica vizinha e colega de escola Margo Roth Spiegelman. Até que em um cinco de maio que poderia ter sido outro dia qualquer, ela invade sua vida pela janela de seu quarto, com a cara pintada e vestida de ninja, convocando-o a fazer parte de um engenhoso plano de vingança. E ele, é claro, aceita.
Assim que a noite de aventuras acaba e um novo dia se inicia, Q vai para a escola e então descobre que o paradeiro da sempre enigmática Margo é agora um mistério. No entanto, ele logo encontra pistas e começa a segui-las. Impelido em direção a um caminho tortuoso, quanto mais Q se aproxima de Margo, mais se distancia da imagem da garota que ele achava que conhecia.



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Cidades de papel é o terceiro livro que leio do John Green e vou afirmar nesse post que estou começando a amar esse autor! Acho a escrita dele muito fluida, muito divertida e isso me faz quase que engolir seus livros de uma vez só. E o que acho mais bacana nesse escritor é perceber que suas obras partem de acontecimentos cotidianos, ou seja, não há algo mirabolante ou “de outro mundo” em seus textos. Não existe o clichê do vampiro, ou de outro ser sobrenatural, ou de uma forçada distopia, não. As histórias são de pessoas normais, cujas vidas são também normais e as suas histórias se desenvolvem de forma... normal? Ok, nem tanto. Existe um elemento surpresa que dá toda a diferença na escrita de Green. E é sobre isso que quero falar enquanto digo o que achei de Cidades de papel.


A obra conta a história de Quentin, um garoto de 17 anos que está no último ano escolar. Quentin é apaixonado por sua vizinha Margo. Os dois são vizinhos desde criança e, apesar de muito amigos durante a infância, afastaram-se durante a adolescência.


Quentin possui dois amigos chamados Ben e Radar. Esses personagens, apesar de secundários, são simplesmente sensacionais e ganham muita importância durante a narrativa. Ben é um menino que quer se enturmar com o resto da escola, quer arrumar uma companhia pro baile de formatura e quer namorar alguma menina. No entanto, ele sofre bullying na escola por causa de um incidente que ocorrera há alguns anos e isso acaba atrapalhando a sua vida social de uma forma muito frequente. Radar é um daqueles nerds fanáticos por seu site Omnictionary, uma espécie de enciclopédia. Uma curiosidade interessante sobre a família de Radar: os pais dele possuem a maior coleção mundial de papais-noéis negros. Aliás, achei muito engraçada essa característica pois o personagem se incomoda muito com isso, já que sua casa é lotada de papais-noéis negros.


Uma noite, Quentin recebe a visita inesperada de Margo que entra, literalmente, pela janela de seu quarto. Quentin fica espantado com a aparição repentina de sua amada e, principalmente, com o seu pedido: Margo disse precisar de um motorista e de um parceiro para algumas missões naquela noite.


Quentin, então, passa a madrugada com Margo, dirigindo por vários locais de Orlando e executando as tais missões que envolvem vingança, criatividade e muitas risadas (tanto dos personagens quanto do leitor!). Essa parte da história, para mim, é a melhor de todas e compreendo muito os motivos de Quentin, mesmo se arriscando, ajudar Margo a se vingar dessas pessoas que a magoaram. Essa noite acaba tornando-se muito empolgante para Quentin por vários motivos. O primeiro é que Margo o procurou, logo, ele pensa que ela o considera importante. O segundo é que agora ela não está mais namorando (uma das vítimas da vingança é o atual namorado que virou ex-namorado naquele mesmo dia). O terceiro e mais importante é a possibilidade de uma reaproximação entre os dois. No final da noite, Quentin pensa exatamente isso: Margo vai voltar a falar comigo. E dorme animado com essa ideia.


Aí que acontece o elemento surpresa elaborado por Green e que considerei genial: no dia seguinte, Margo simplesmente desaparece.


A partir daqui, a história toma um rumo muito interessante pois o protagonista “pira” com esse sumiço de Margo e decide encontrá-la. O desenrolar da trama trata-se justamente disso, Quentin, com a ajuda de Ben, Radar e Lacey (amiga de Margo que começa a namorar Ben), realizam uma viagem pelos Estados Unidos em busca de Margo. Muitos acontecimentos ocorrem durante a viagem, no entanto, o que considero mais relevante é observar essa grande experiência para os personagens. Green consegue nos mostrar não somente adolescentes tentando encontrar uma amiga que sumiu, mas o estreitamento de laços de amizade, a descoberta de si mesmo, o significado que as pessoas têm para nós e a imagem que criamos delas.


Li muitas críticas negativas relacionadas ao final do livro. Vou ser contra elas pois EU GOSTEI. Acho que o final é exatamente o que deveria ser, mas não vou me estender aqui para evitar spoiler. Acredito que a história não é exatamente a viagem para encontrar Margo, mas a viagem para encontrar a si mesmo. E creio que Quentin precisava disso, ele precisava de algo que o tirasse da zona de conforto em que ele se encontrava.

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Recomendo muito a leitura de Cidades de papel. É um livro divertido, com uma narrativa impecável, linguagem leve, ritmo empolgante, personagens “demasiadamente humanos” e leitura muito agradável.


Leiam e me contem depois o que acharam do final!


O livro possui adaptação para o cinema e estreou no Brasil em 11 de julho desse ano. Ainda não consegui assistir, mas me disseram que é muito bom. Assim que eu ver, conto pra vocês o que achei. Mas leiam o livro anteeeessss...


Boa leitura a todos!


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Ana Karina (ou só Karina) é a criadora e autora do blog Da Literatura. É gaúcha de Porto Alegre, geminiana tagarela e mãe da Capitu e do Bilbo. Atua como professora de Literatura e Língua Portuguesa da rede municipal e ama a sua profissão. Viciada em livros, cinema, arte e cultura geek. Adora viajar, conversar e fazer piadas sem graça.

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Um comentário:

  1. Eu adorei ler essa historia, eu gostei quase tanto quanto A CULPA É DAS ESTRELAS. Me fez pensar em muitas coisas da vida e mudar minhas perspectivas de vida, tudo parece tão diferente depois de ler ele. É um livro que (particularmente) me apaixonei e recomendo a todos. Adorei seu blog, já deixei em meus favoritos.

    Meu blog: www.umcontainer.com

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